Reagindo a… Buffy, the Vampire Slayer – S2: Amor (próprio) é o que resta

Texto por Gih Alves e Rúvila Magalhães.

“A S1 não prepara ninguém para o sofrimento das próximas temporadas”, disse Sofia, editora aqui do Headcanons e fã de Buffy. Ela está nos acompanhando enquanto assistimos a série, sempre pronta para abraços quentinhos, frases de conforto e longos debates sobre personagens e situações. Mais de uma vez, ela avisou que iria ficar pior, numa tentativa de conforto para o que estava acontecendo no momento. Não funcionou todas as vezes, afinal, como ficaria pior que aquilo?, mas Sofia tinha razão, é claro. Por isso que utilizamos seu aviso para iniciar essa análise: a primeira temporada de Buffy, The Vampire Slayer não prepara ninguém para o sofrimento que está por vir nos 22 episódios da temporada seguinte.

Passado o aviso (necessário) de que vai doer, vale dizer que quem gostou da primeira temporada da série com certeza vai amar a segunda, que é ainda melhor desenvolvida, com maior participação de personagens secundários e inserção de novos, o que forma uma trama mais redonda, divertida, com momentos fofos e fraternais entre a Scooby Gang.

Após sobreviver a todos os desafios impostos e ao Mestre, na Boca do Inferno, parece que os dias serão um pouco mais tranquilos para Buffy (Sarah Michelle Gellar) e a Scooby Gang. Estava dando tudo certo, na medida do possível para Sunnydale, até a chegada de novos habitantes: Spike (James Marsters) e Drusilla (Juliet Landau).

O casal de vampiros chega à cidade com Drusilla bastante debilitada e precisando realizar um ritual para restabelecer sua saúde. Sem paciência para os concorrentes, Spike rapidamente livra-se de todos e vira um dos líderes da comunidade vampiresca de Sunnydale enquanto faz os preparativos para cuidar da morte eterna de sua amada. Não é uma coincidência que o casal esteja em Sunnydale: eles precisam do sangue do vampiro que transformou Drusilla para que o ritual de cura funcione.

O amor é um dos principais personagens e a maior força na segunda temporada. Buffy está cada vez mais feliz com Angel (David Boreanaz), o vampiro amaldiçoado com uma alma; Willow (Alyson Hannigan) passa a namorar o guitarrista Daniel “Oz” Osbourne (Seth Green); Xander (Nicholas Brendon) e Cordelia (Charisma Carpenter) estão em um grande impasse entre amor e ódio; Giles (Anthony Head) encontra alguém especial na professora Jenny Calendar (Robia LaMorte), uma tecno-pagã capaz de igualar sua inteligência; e parece que até mesmo Joyce (Kristine Sutherland), a mãe de Buffy, tem encontros especiais (nem tão românticos assim).

É também por conta do amor que as coisas começam a dar errado.

Ah, a paixão…

Cuidado: grandes spoilers sobre a segunda temporada a seguir!

A diferença entre a primeira e a segunda temporada de Buffy é notável desde o início. Há uma tensão logo no primeiro episódio, após a volta de Buffy das férias com o pai. Sua morte, ainda que por apenas alguns minutos na season finale da temporada anterior, marcou a garota, e o primeiro episódio nos traz uma Buffy distante, alheia, que passou por mudanças. É logo no início que se tem a certeza de que a série não está brincando com os elementos utilizados, uma vez que a morte de Buffy não foi usada como recurso vago de roteiro e sim tem um peso sobre a personagem, que até mesmo destrata os amigos, fechada naquela bolha que só ela própria é capaz de compreender. Palmas para o roteiro, que nos brinda com uma Buffy humana, adolescente, sem saber bem como lidar com o que aconteceu e tendo nos amigos o apoio necessário para aceitar e superar.

E esse acontecimento gera mais que efeitos psicológicos em Buffy. Sua breve morte fez outra caçadora ser ativada: Kendra. Criada de forma completamente diferente da de Buffy, Kendra sabe recitar trechos dos manuais, teve um treinamento exemplar desde criança, quando foi entregue para seu sentinela, uma vez que tinha grande potencial para ser a próxima escolhida. O sentinela de Kendra a proibiu de contatos sociais, românticos ou até familiares, alegando que isso seria uma distração de sua missão. Ela é o oposto de Buffy, criada para ver vampiros como nada além de monstros, sem pausa para saber se têm ou não uma alma. Isso é algo que causa choque ao encontrar com Buffy: nenhuma das duas caçadoras sabe da existência uma da outra. Kendra foi enviada à Sunnydale por seu sentinela e na primeira vez que vê Buffy, ela está beijando Angel, por isso a segunda caçadora acredita que Buffy é uma vampira e decide que ela precisa morrer. Ao receber o ataque, Buffy acredita se tratar de uma das assassinas contratadas para matá-la.

“I’m Kendra, the vampire slayer” é um momento chocante e que mostra que a morte de Buffy não foi em vão. E, ei, agora são duas caçadoras, as chances de salvar o mundo estão dobradas!

Como já dito antes: essa temporada é dolorosa — mas tem grandes e difíceis lições. E todo o caminho teria sido ainda mais difícil caso Buffy não tivesse ao seu lado a sua Scooby Gang. Se na primeira temporada Giles, Willow e Xander foram peças indispensáveis para o sucesso de Buffy em suas missões, na segunda temporada a força e união do grupo só aumentou, assim como o número de integrantes.

Além de Jenny, a nova frequentadora do grupo é Cordelia Chase, que passou de estereótipo de patricinha-popular da escola a namorada de um loser, mas, como tudo nesta série, isso ocorre de uma maneira muito orgânica e mostra muitas camadas diferentes de Cordelia — que poderia até parecer uma menina fútil nos primeiros episódios da série, no entanto, ao engatar seu namoro com Xander, mostra que pode ser muito útil com pesquisas e com caronas, consegue se virar sozinha na hora de se defender do perigo (quase sempre) e até demonstra empatia por quem ela já discriminou. Isso não aconteceu pelo Xander, devemos ressaltar, mas pela própria Cordy. O namoro com ele, aliás, é pautado em dúvidas sobre como ficará a popularidade de Cordelia agora, mostrando que ela é uma personagem tridimensional que não se resume a uma única característica — suas dúvidas são reais, típicas de uma adolescente, tangíveis.  Assim, a segunda temporada acaba com o desconforto que a primeira causou acerca do tratamento a ela e prova que Buffy sabe, sim, construir personagens femininas para além de sua protagonista. Quem antes não simpatizou de cara com a Cordy — essas pessoas existem? —, neste ponto já se rendeu ao seu jeitinho meio desajeitado e sem tato para falar com as pessoas, mas com pontos muito importantes a acrescentar ao grupo.

Mais calado ali no canto está Oz. Ele é o “garoto da banda” da escola, o que já seria o suficiente para fazer dele um grande sucesso entre as garotas, mas ele não assume o posto de garanhão; pelo contrário, seu jeito meio esquisito e nerd, que entende muito de computadores mas não leva jeito na escola, o aproximou de Willow, que leva muito jeito com os estudos mas também é vista como nerd pelos garotos. Oz, que poderia muito facilmente ser o “outro garoto do grupo” e ser mais parecido com Xander, sempre quebra as expectativas do espectador em relação a isso, mostrando ser dono de uma personalidade bastante única. No episódio “Phases” descobrimos algo bastante importante sobre ele: Oz foi mordido por um lobisomem e em toda noite de lua cheia ele está destinado a se transformar em um. Como todo o grupo lida com isso, tentando ajudá-lo e construindo mecanismos para que ele não machuque ninguém (ou a si mesmo) nos dias em que vira lobo, mostra o quanto eles estão ligados e comprometidos a cuidarem um do outro.

Willow, Oz, Giles, Cordelia, Xander, Buffy, Angel, Spike e Drusilla
Scooby Gang (<3) + os antagonistas da temporada

Descobrimos nesta temporada quais são os termos da alma de Angel: ele foi amaldiçoado por um povo muito antigo, que restaurou a alma do temido Angelus para que ele fosse atormentado pelas maldades que cometeu. Mas, se algum dia ele fosse realmente feliz, a alma abandonaria seu corpo e ele voltaria a ser Angelus. Os detalhes sobre a maldição são explicados nos episódios “Surprise” e “Innocence”, uma sequência devastadora, que vai do céu ao inferno numa sequência de menos de duas horas. A felicidade se dá com o aniversário da Buffy, a festa que os amigos fazem e a primeira vez em que ela faz sexo com Angel. É tudo tão lindo!! Tão fofo!! Tão encantador!! Até que, bem, Angel atingiu um nível de felicidade pura e perdeu a alma, tornando-se o maligno Angelus.

Em três palavras: puta que pariu!!!

QUEM DEVEMOS MATAR POR TER FEITO ISSO?

Vocês sabem: “Não façam sexo, garotas, vai dar tudo errado”, é o que parecem dizer as entrelinhas de muitos programas que assistimos por aí. Com a Buffy, é literal. O namorado, que até então era um perfeito cavalheiro, o príncipe dos sonhos, se torna realmente um monstro do mal. E a culpa, amigos, ah, a culpa. Rever o episódio para escrever essa resenha resultou em gritos e socos contra o travesseiro, pois era necessário socar alguma coisa. Ao compreenderem o significado da tal felicidade de Angel, os amigos têm aquele olhar de julgamento que diz “como pôde ser tão tonta?!” — sim, é óbvio que estou falando do Xander. A própria Buffy se culpa, e é uma culpa tão… comum? Não gostaríamos de usar essa palavra, mas é um sentimento (infelizmente) tão corriqueiro. Os olhares condescentes dos amigos, a presença do Angelus e sua provocação maldosa, a certeza de que as coisas só estão como estão por causa dela. Nada saudável. Nada agradável. Ainda acontece bastante na vida, muitos anos depois, e essa talvez seja a pior parte. Buffy podemos ser nós, uma amiga, uma irmã, uma vizinha. A relação Buffy-Angel ganha um tom de relacionamento abusivo real tão grande aqui. É o cara que fica escroto depois do sexo, é a culpa na expressão dos amigos pois, afinal, quem mandou transar com o cara?, é o sentimento de agonia e desesperança e vontade de matar da Buffy.

Isso molda a caçadora no resto da temporada (e também da série), esse peso gerado por algo que não foi errado, mas que, ainda assim, foi tratado como tal. Sinceramente, não dá pra aguentar a Buffy sendo tratada desse jeito não, não dá pra suportar ver essa menina chorando.

Aliás, a humanidade dela foi muito bem explorada na temporada anterior, e a S2 trabalha tudo ainda melhor e com aprofundamento ainda mais íntimo, como já dito antes. E isso tudo conta com efeitos muito melhores, visto que a série ganhou um upgrade no orçamento, o que permitiu uma edição mais apurada e maquiagens menos falsas. Ainda estamos falando de uma série do fim da década de 90, então algumas coisas ainda parecem extremamente plásticas, as roupas são… bem, a moda dos anos 90 não era exatamente a melhor [N. da Ed.: pessoalmente ofendida com essa declaração, me visto que nem a Buffy até hoje]. Essa melhoria nos efeitos e maquiagens da série vem como um bônus para os bons episódios, que funcionariam bem mesmo sem eles.

É o caso de “Passion”, o décimo sétimo episódio da temporada, que une um ótimo roteiro com interpretações incríveis e uma fotografia linda. No episódio, temos Angelus declamando um poema sobre a paixão e o que ela nos leva a fazer. Em uma sequência de puro terror psicológico, Angelus faz jogos mentais com Buffy e toda a Scooby Gang: desenhos deixados nos quartos, peixinhos mortos, a ameaça não tão discreta de que ele está ali, pronto para acabar com todos. “Passion” é o episódio que melhor mostra a diferença entre Angel, o homem amaldiçoado com uma alma, e Angelus, o homem sanguinário. E é importante dizer “homem” e não “vampiro” pois Buffy, uma série que usa monstros como alegorias para problemas do mundo real, traz em Buffy e Angelus a imagem de um relacionamento que terminou pela maldade de uma das partes — que, não contente com isso, ainda se mantém presente ameaçando, invadindo, coagindo e amedrontando a outra parte. Como Joyce não sabe que sua filha é uma caçadora, nem conhece o mundo sombrio que existe dentro do mundo normal, é exatamente essa a explicação de Buffy para a mãe: o namoro não deu certo e ele se tornou um perseguidor perverso.

A declaração é importante para enfatizar como aquilo é intolerável. Sim, eles tiveram uma história, sim, Buffy gostava muito de Angel (e ainda gosta, ele perdeu a alma apenas quatro episódios atrás e a gente sabe que o amor não acaba de uma hora para a outra), mas isso não o torna melhor. Isso não faz as atitudes dele aceitáveis — e tampouco são tratadas como tal. Tudo o que ele faz é errado e, embora o episódio se chame “Passion”, em momento algum isso é romantizado. É trágico, doloroso, cruel. Angelus não faz nada por amor, pois o amor não é cruel; todas suas ações são movidas por paixão, mas a paixão por si mesmo e pela destruição que ele é capaz de causar. Lembrando que agora ele é um vampiro sem alma, e sua maldade não tem limites.

Ah, e a passion… Jenny, que se tornou importante na história, uma segunda adulta na Scooby Gang, explora um novo lado de Giles: mais que o Sentinela dedicado de Buffy, o inglês ganha um pouco de vida própria, separada de sua pupila, conforme os episódios pincelam a relação delicada e cheia de farpas — Giles não é muito fã de computadores — com Jenny. E a personagem não se limita a ser o interesse romântico de um homem: parte do mesmo povo que amaldiçoou Angel no passado, a professora está ali para monitorar o vampiro, já que sua relação com Buffy vinha o tornando cada vez mais feliz e próximo de perder sua alma. É uma pena que ela fique tão pouco tempo na série, tornando-se vítima de Angelus no episódio mais pesado (sim, ainda estamos falando de “Passion”). Entretanto, algo interessante de ressaltar é que, ainda que a morte de Jenny seja um trope comum, conhecido como “mulher na geladeira” (ou seja, a morte de uma mulher para motivar o protagonista) — nem Buffy conseguiu fugir de alguns tropes —, não segue os moldes tradicionais. Nesse caso, a protagonista é Buffy, a adolescente de 17 anos, a loirinha magrinha que entra no beco escuro e não é morta pelo monstro (!!!). Além de motivar as ações de Buffy com sua morte, em vida a professora Jenny Calendar desempenha papel importante, mostrando a Giles como a informática pode ser útil para entender um pouco sobre as forças do bem e do mal. Ela também é a ponte entre Angel e Angelus, a pessoa que faz a mediação entre esses dois vampiros completamente diferentes e nos ajuda a entender melhor a maldição da alma.

A questão Angelus afeta todos os personagens de alguma forma, mais ou menos intensa. É algo que muitas vezes divide a opinião do grupo e causa grandes conflitos. Como era de se esperar, também é uma questão decisiva para a conclusão da temporada e as transformações que perpassam por Buffy e Kendra. Apesar de sua relação um pouco conflituosa no início, é evidente o quanto as duas caçadoras conseguem aprender uma com a outra e sentir empatia por suas questões. Por conta de seu treinamento rigoroso, Kendra é menos flexível que Buffy sobre a existência de Angel: todos os vampiros devem ser aniquilados. Quando as coisas chegam ao seu limite e Angelus parte para sua tentativa de aniquilar o mundo todo com a liberação do demônio Acathla, Kendra volta para ajudar Buffy na sua batalha contra o seu ex-namorado e o fim do mundo. Como toda guerra tem suas baixas, Kendra não resistiu a luta final, mas deixou com Buffy muitas experiências e sua adorada estaca “Mr. Pointy”. É mais uma problemática que a série enfrenta: a personagem negra mal aparece, e aí quando aparece, morre daquela forma… simples. Sim, sim, Buffy The Vampire Slayer é incrível para o ano em que passou, tem uma dúzia de mulheres incríveis, mas erros acontecem. Na temporada anterior, a falta de profundidade de Cordelia foi citada — ela era apenas a colega popular e superficial —; dessa vez, a falta de personagens negros com maior participação é o que desponta como maior problema.

Ainda assim, é impossível ignorar a variedade de personagens femininas que dominam essa história: Buffy, Kendra, Cordelia, Buffy, Drusilla e Willow — a nerd apaixonada por computadores que está se aproximando da magia —, para citar as personagens femininas principais da série até aqui, são complexas, profundas, mulheres reais com amores, desamores, opiniões e gostos diferentes, que se chocam e se complementam. Elas mudam, crescem, confrontam seus medos, salvam o mundo. O amor é o motor por trás da temporada, e o amor entre essas mulheres não fica de fora, principalmente entre Buffy e Willow, melhores amigas que possuem um sentimento de irmandade muito grande e bonito. É importante vê-las salvando umas às outras, ajudando-se mesmo em meio ao sarcasmo (o que acontece bastante quando Cordelia está por perto) e se apoiando em diferentes situações, seja no terror psicológico causado por Angelus, seja por um demônio que surgiu num episódio filler. Assistir Buffy, The Vampire Slayer, deixa o coração quentinho por todas as suas personagens, a certeza de que é possível, sim, uma história que trate suas garotas como pessoas e não como simples objetos para servir aos homens. Drusilla faz parte da equipe do mal, configurando o grupo dos big bads da temporada, e a mulher é doida.  Ela começa a temporada fraca, mas após se reabilitar se mostra mais monstruosa que Spike. Ele é o vampiro apaixonado que não quer que o mundo acabe ele quer ver novelas, fumar seu cigarro, ouvir Ramones enquanto Drusilla está ali pronta pra ver o mundo pegar fogo. Olhar esse tanto de mulher diferente, com personalidade, arcos e ótimas histórias, o coração fica até quentinho.

Se a primeira temporada terminou deixando a sensação de “eu quero viver”, a season finale da segunda foi um sopro completo de força e confiança e dor. Parece que Buffy segue um padrão de deixar uma grande lição em seu final, ou talvez seja nosso lado apaixonado pela personagem que nos faz tirar grandes lições de todas suas ações até aqui, mas o fato é que é impossível não se sentir forte e poderosa quando, ao ser confrontada por Angelus, Buffy lembra a ele o que resta.

Angel: Sem armas, sem amigos, sem esperança. Tire tudo isso, e o que resta?
Buffy: Eu.

É comum nos sentirmos sozinhos às vezes, e ainda mais comum depositar a fé de nossa força nos amigos. E não é apenas força física, mas a emocional, se sentir capaz de algo. Ter aquelas pessoas que acreditam na gente é imprescindível, nos faz sentir fortes, importantes e capazes. Longe deles, em um ambiente diferente ou hostil, sem o apoio de quem nos conhece e entende, passando por problemas de qualquer natureza, a gente tende a duvidar de nossa força, a achar que vai dar tudo errado, pois, sozinhos, não somos nada. E é aí que entra Buffy e nos lembra que não. Ela, uma caçadora treinada para proteger o mundo dos seres das sombras, naquele momento é uma adolescente de dezessete anos lidando com o namorado que ficou mau — e que, por acaso, é um vampiro que quer destruir o mundo —, e é um problema tão humano, tão real, tão doloroso, que se Buffy desistisse de lutar ali mesmo, não poderíamos julgá-la. Mas ela não desiste; na verdade, ela encontra força em si mesma, tanta que consegue colocar Angelus contra a parede para o matar, e isso passa o recado que ficou marcado nessa temporada: nós podemos. Nós somos fortes e capazes. Vai dar tudo certo. A vida é difícil, as coisas dão errado, mas a gente consegue lutar e vencer mesmo quando tudo parece perdido e estamos sozinhos.

Porque, no fim, what’s left? Me.

 

Episódios favoritos: 3 – School Hard; 6 – Halloween; 9 e 10 – What’s my line part I e II; 14 – Innocence; 17 – Passion; 18 – Killed by Death; 21 e 22 – Becoming part I e II

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