#Queer52: We Are the Ants

Goodreads | Amazon

Ai, deusa. Olha só, será que dá pra gente se reunir todo mundo e falar do Shaun David Hutchinson? Esse autor, aiaiaiaiai.

Minhas expectativas pra We Are The Ants eram altas. Não faz nem um mês que eu li The Five Stages of Andrew Brawley, e foi, e ainda é, provavelmente meu livro preferido desse ano, por enquanto. Outra coisa a ser considerada: eu tenho pânico de ETs. Tipo, mesmo. Desde criança, não sei lidar muito bem.

Pra quem nunca ouviu falar do clássico, We Are The Ants é sobre Henry, um garoto que vem sido abduzido por aliens há três anos. Ano passado, o namorado dele se matou. Agora, os aliens avisam que o mundo vai acabar, e se o Henry quiser, eles salvam o mundo. O Henry, e somente o Henry, tem o poder de impedir o fim do mundo. Mas ele não tem certeza que o mundo merece ser salvo.

Depois da morte do Jesse, as coisas só ficaram mais difíceis. O Henry não se sente mais confortável com a Audrey, a ex-melhor amiga que dividia o Jesse com ele. Ele se sente sozinho, tem uma relação difícil com o irmão mais velho, a mãe emocionalmente indisponível, e a avó que vem sofrendo de perda de lucidez. O Henry também está num relacionamento abusivo e secreto com um de seus bullies na escola, e, aé, eu mencionei isso? Bullying. Pesado.

Entra Diego Vega, o gatíssimo aluno novo latino, com um passado misterioso e olhos de fazer suspirar. Mas o Diego, mesmo com o seu charme e seu ai-me-pega-por-favor, não faz com que o Henry queira pressionar o botão que salva a Terra do fim do mundo.

É preciso mais que isso. É preciso alguma coisa.

O quê? Ele não sabe. Tudo o que o Henry sabe é que ninguém consegue convencê-lo que o mundo merece uma segunda chance.

We Are The Ants é uma leitura bonita, envolvente, com personagens ricos e dinâmicas muito bem exploradas. Minha parte preferida é a da família, eu acho. É uma coisa que o Hutchinson faz muito bem: os personagens dele vivem vidas complexas com dilemas existenciais, e é só uma coincidência que eles também são queer no processo. O Henry não é definido por ser gay, e a história dele não é de sair do armário. Claro, ele ser homossexual é tipo 40% do motivo de ele sofrer bullying na escola (os outros pesados 60% é ele dizer ser abduzido por aliens), e ele encara homofobia. Mas não é um fator decisivo. We Are The Ants não é sobre isso.

We Are The Ants é sobre perda, sobre família, sobre se despedaçar e não conseguir colocar os pedacinhos de volta nos lugares certos. É sobre crescer e precisar de ajuda, sobre amizade e sobre a busca de motivos pra viver. É, principalmente, sobre o futuro, e a sombra que essa promessa do amanhã pode trazer.

 

Pontos de diversidade:

Personagens queer: 3*

Personagens não-americanas/não-brancas: 2**

Personagens com transtorno mental/psicológico: 3***

Personagens com deficiência: 0

= 8 pontos

* sem contar o Jesse, o namorado do protagonista que se suicidou

** apenas em personagens principais

*** embora apenas um dos três casos seja diagnosticado abertamente

 

Pontuação do livro: ★★★★

✓ premissa original pra caramba

✓ zoe/charlie o otp secundário que você mais respeita

✓ diversidade (3 pontos pra cima eu já considero check)

✓ final super satisfatório

✗ podia ter uma narrativa um pouquinho mais rápida

About Gabriela Martins 9 Articles
Gabriela Martins é professora e formada em Letras e tem uma obsessão preocupante com bruxas, guerras fictícias, e super-heróis. Seus hobbies principais incluem planejar assassinatos pra acontecer em mundos faz-de-conta, longas caminhadas até o sofá pra fazer maratonas no Netflix, e, surpreendentemente, yoga.

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.


*