#Queer52: More Happy Than Not

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Oooooooouuuu bem, More Happy Than Not aconteceu. Ai, Jesus. Como faz? Como lida?

 

Primeiro, expectativas da leitura: o autor, Adam Silvera, é um chuchuzinho.

Quando eu digo que ele é um chuchuzinho, o que eu quero dizer é que ele faz parte de um monte de projetos legais, constantemente fala em favor de LGBTQIA+ e empoderamento de latinos pelo mundo e, principalmente, nos Estados Unidos, onde ser latino é difícil. Eu seguia o trabalho dele sem ter lido nenhuma ficção dele, e eu me joguei em More Happy Than Not com uma empolgação gigantesca.

Aaron Soto é um adolescente porto-riquenho morando com o irmão e a mãe em um apartamento minúsculo, em um complexo de apartamentos minúsculo. É verão e tudo o que ele quer é aproveitar esse tempo livre com a namorada, Genevieve, e os amigos. O pai dele recentemente cometeu suicídio, e com a marca de uma carinha feliz no pulso como alerta da própria tentativa frustrada, tudo o que o Aaron quer é esquecer que tudo isso já aconteceu.

Mas aí a namorada vai pra um programa de verão longe, e ele conhece o Thomas. E aí as coisas começam a ficar meio confusas. Em um mundo onde “NO HOMO” é a lei, ele sabe que está entrando em águas perigosas. Os anúncios na TV, desse procedimento novo, que promete apagar lembranças e pessoas completamente, fica cada vez mais atraente, conforme o verão vai passando, e vai ficando mais difícil pro Aaron mentir pra si mesmo.

O livro é, com razão, bastante comparado com O brilho eterno de uma mente sem lembranças, só que latino e queer. E precisamos falar sobre o aspecto latino, porque é muito evidente e maravilhoso. Tirando dois personagens principais (um negro e um branco) todos os personagens de importância são latinos. É algo apontado claramente, com intenção, e torna uma narrativa bastante diversa, sem parecer que está sendo. É orgânico; natural.

Acho que vale dizer que o complexo de apartamentos quase que conta como mais um personagem. As cenas são tão vívidas! Também é importante que os personagens principais não são os personagens que estamos acostumados na maior parte dos livros de YA, com carrões e roupas de marca. Esses personagens têm dificuldade de conseguir juntar moedas pra comprar uma edição de quadrinhos velha de um dólar. E isso os torna mais parecidos com uma parte considerável do público que ele atinge. Adam Silvera criou esse círculo social e esse mundo, nesse complexo de apartamentos, e fez dele vivo.

Embora eu tenha vibrado de emoção com vários aspectos da narrativa e tenha me sentido toda felizinha por dentro de tanta representatividade latina, o final do livro foi… menos do que eu esperava. Pela natureza dos posts do #queer52, eu não vou dar spoilers; não vou dizer o que acontece. Mas, assim, se você der uma olhada pelo Goodreads e outros sites de críticas, tem muita gente dizendo que o final é triste, que chorou. Eu não achei triste, e não chorei. Eu fiquei morrendo de ódio, me sentindo meio traída, e se fosse chorar, choraria de raiva. (Ops? Alguém aqui também se envolve demais com narrativas?)

Meu descontentamento com o final quase estragou o livro pra mim, mas vale dizer que, até os últimos capítulos, eu estava amando demais da conta.

 

Pontos de diversidade:

Personagens queer: 2

Personagens não-americanas/não-brancas: tipo, 95% do livro

Personagens com transtorno mental/psicológico: 2*

Personagens com deficiência: 1**

= 5+ pontos

* Dois personagens com traços fortes de depressão não-diagnosticada

** A deficiência é adquirida, a pessoa não nasce com ela

 

Pontuação do livro: ★★★

✓ de não querer parar nem pra respirar

✓ cenários/dinâmicas muito reais

✓ diversidade (3 pontos pra cima eu já considero check)

✗ final de ficar bufando (risos desesperados)

✗ já falei do final? Pois é. O final

 

About Gabriela Martins 9 Articles
Gabriela Martins é professora e formada em Letras e tem uma obsessão preocupante com bruxas, guerras fictícias, e super-heróis. Seus hobbies principais incluem planejar assassinatos pra acontecer em mundos faz-de-conta, longas caminhadas até o sofá pra fazer maratonas no Netflix, e, surpreendentemente, yoga.

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