#Queer52: Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo

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Caramba, Jesus, Maria, José. Ai, Jesus Cristinho.

Como que eu acabei nessa de ter que escrever uma resenha pro melhor livro já escrito no mundo de livros já escritos? Respira fundo. Não para de respirar. Inspira. Expira. Ad infinitum.

Vem cá. Vamos falar de Aristóteles e Dante descobrem os segredos do universo.

Gente, dá pra pausar um minuto? Vocês repararam que esse é o primeiro título que eu falo do título em português, e encho vocês de links brazucas pra comprar??? Ééééé isso aí!!!! A Editora Seguinte, com a tradução de Clemente Pereira, trouxe essa belezinha pra cá. Sou eu que estou chorando? É você que está chorando. Estamos chorando todxs. Choramos muito. Nos abraçamos. Fazemos maratona pra ler e reler esse livro até os olhos sangrarem. Morremos felizes.

Pra começar, o autor, Benjamin Alire Sáenz, é um cara que vale a pena prestar atenção. Ele está trabalhando na sequência desse livro sobre o qual eu vou falar hoje (mas tudo bem ler como um livro solito, porque ele se sustenta bem sem continuação também). Eu ainda não li mais nenhum dos trabalhos dele, mas pensa numa pessoa ansiosa pra devorar tudinho que ele escreveu. Porque, olha, se for metade do bom-que-dá-gosto que Aristóteles e Dante é, eu já vou estar bem feliz.

Eu li esse livro antes do desafio #queer52. Eu li em junho do ano passado, e minha resenha no Goodreads consiste na narração do meu desespero conforme eu fui vendo que o livro estava acabando, e eu não queria. Tudo o que eu queria era que o livro durasse pra sempre. Olhando pra trás agora, eu ainda queria que não tivesse acabado.

A história começa no verão, quando o Ari e o Dante se encontram na piscina comunitária e formam uma amizade inesperada. O Ari, com o irmão na cadeia, o pai introvertido e traumatizado pela guerra, e a mãe tentando equilibrar o que resta da família deles, passa quase o tempo inteiro com raiva do mundo. Eles não falam do irmão do Ari na casa deles. Eles mal falam. O Dante, pelo contrário, fala muito. Ele fala da visão de mundo dele, que é uma visão meio cor de rosa. Ele fala de experimentar o mundo como se o mundo fosse delicioso.

A amizade dos dois enfrenta obstáculos. Eu acho que se eu falar mais, sobre o que acontece entre eles e ao redor deles, eu vou acabar estragando algumas das surpresas que esse livro proporciona, então eu vou deixar por aqui: eles se conhecem. Eles se encantam e se estranham ao mesmo tempo. Coisas resultam desse encantamento e estranhamento.

A história é simples. Não existem grandes momentos de choques. O que chama atenção nesse livro, não só pra mim como pra maioria das resenhas que fecha esse livro numa média de 4.34 no Goodreads (uma média altíssima), é a narrativa. O Alire Sáenz é um poeta (não, tipo, de verdade), e isso transparece nas páginas de prosa que contam a história do Ari e do Dante.

Eu chorei pra caramba com esse livro. De verdade. (E de felicidade.)

Só mais uma coisa: tem uma discussão bem interessante no livro sobre o ‘se sentir latino’. Os dois são latinos, mas o Dante é descrito como um latino branco, enquanto o Ari não. É um conceito diferente, já que as palavras ‘latino branco’ não casam no contexto no qual esse livro foi escrito — o Dante seria, então, um latino de pele clara, mas nunca branco, já que branco é associado com americano europeu brancão etc. No livro, o Dante não se sente apropriado dentro da própria comunidade, e questiona o seu pertencimento dentro dela, por não aparentar ser latino como o Ari. Não é um momento central na narrativa (é só mais uma das várias discussões maravilhosas que os dois têm), mas me marcou. Só lembro desse tipo de diálogo no livro Yaqui Delgado Wants to Kick Your Ass.

 

Pontos de diversidade:

Personagens queer: 2

Personagens não-americanas/não-brancas: tipo, 95% do livro

Personagens com transtorno mental/psicológico: 0

Personagens PCD: 0

= vários pontos

 

Pontuação do livro: ★★★★★

✓ diversidade (3 pontos pra cima eu já considero check)

✓ narrativa maravilhosa de não dar pra parar de ler

✓ tipo sério eu li ele numa noite eu não consegui largar até terminar

✓ personagens BRILHANTES eu quero proteger o Ari e o Dante pra sempre

✓ TEM CACHORRO

About Gabriela Martins 9 Articles
Gabriela Martins é professora e formada em Letras e tem uma obsessão preocupante com bruxas, guerras fictícias, e super-heróis. Seus hobbies principais incluem planejar assassinatos pra acontecer em mundos faz-de-conta, longas caminhadas até o sofá pra fazer maratonas no Netflix, e, surpreendentemente, yoga.

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