Apresentando… #Queer52 + “Winning”

Pra celebrar queerness, os sites YA Interrobang e The Gay YA resolveram se juntar e criar o #queer52. Pera, muito nome novo? Eu explico, senta aqui, vamos falar de queerness e de YA.

Começando com YA, ele vem do termo em inglês Young Adult, e é uma categoria/faixa-etária de livros. Os livros na gringa são normalmente divididos entre Children’s (para crianças), YA (para adolescentes e “jovens adultos”), NA (novos adultos) e Adult (adultos), mas esses nomes são mais fortemente ligados a idade dos protagonistas do que das pessoas lendo, porque cada um lê o que quiser, né? Então YA foca aí em protagonistas entre 13 e 19 anos pela definição de teens na língua inglesa. É um gênero que tem um montão de coisa e um montão de coisa muito maneira. Dentro dele, existem os gêneros propriamente ditos, como fantasia, romance, contemporâneo, entre outros.

Falar de queerness é um pouquinho mais complicado, porque queer significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Existe a teoria queer, existe queer como identificação de gênero, e situações na qual não vamos entrar aqui. Aqui, pra esse post e pra esse desafio, que eu falei lá no começo, a palavra queer se vale como guarda-chuva de orientações sexuais e identificações de gênero que transpassam o cis hetero. Ou seja: é o Q de LGBTQIA+, mas também é todas as outras letras da sigla, e o +. Existem pessoas que podem se identificar como lésbica, gay, bissexual, trans, intersex, assexual, arromântico, entre outros, que se identifica desta forma e também como queer, usando os termos como sinônimos, e tem gente que prefere só usar queer, porque ou não acha relevante um rótulo específico, ou porque ainda está se descobrindo, ou por ainda outros motivos.

Então, voltando pro meu primeiro humilde parágrafo: esses dois sites muito massa resolveram se unir pra lançar um desafio: que os leitores dos sites leiam 52 livros esse ano, um por semana, e todos eles sejam queer!!!!! YAAAAAAASSSSSSSSSS DIVERSIDADEEEE!!!!

P.S. importante: vale lembrar que a sugestão de 52 livros/1 por semana é bem pesada pra algumas pessoas, e pessoas lêem em velocidades diferentes. Você escolhe quantos livros você vai ler. Ler 3 livros por ano pode ser tão legal quanto ler 100. Depende da sua experiência e só isso.

A lista que eles escolheram foi essa daqui:

… mas como talvez você já tenha lido alguns desses títulos, vale dar uma quebradinha um pouco nas regras e fazer a sua própria lista. Essas são algumas sugestões dos livros mais ‘clássicos’ de queer YA já lançados e alguns dos lançamentos mais esperados.

Essa que vos fala resolveu adaptar bastante a lista, porque quando eu vi que já tinha lido 9 títulos (de 52), eu fiquei, tipo, AAAAAAAAAH EU PRECISO FAZER MINHA PRÓPRIA LISTA. Eu juro que quero seguir essa lista também, e prestigiar todos esses livros. Mas eu comecei na empolgação com um livro que não está na lista.

Nós precisamos desesperadamente falar sobre Winning, da Lara Deloza.

Goodreads |  Amazon

Winning segue o mês pré-homecoming no colégio Spencer High, pela perspectiva de quatro narradoras: Alexandra, Sam, Sloane, e Ivy. Alexandra é a típica mean girl, só que ainda mais exagerada. Ela faz a Regina George parecer totalmente inofensiva. Gente, de verdade? Se toda história tem uma vilã, Alexandra é a vilã dessa história, apesar de ser, junto com a Sam, uma das narradoras principais. Ela é obcecada pela coroa do homecoming, e posteriormente, da prom, e posteriormente, Miss Indiana. Ganhar é o único verbo e motivação que essa menina conhece, e ela vai derrubar todo mundo no caminho dela pra alcançar seus objetivos.

A Sam, melhor amiga da Alexandra, é meio que talvez quem sabe completamente apaixonada por ela. E a Alexandra… toma vantagem disso. Elas até se beijam de vez em quando, mas a Sam não é mais pra Alexandra do que o namorado perfeito dela é: são só pecinhas no jogo de popularidade que termina com ela e todas as coroas se abraçando.

Nada disso é spoiler. A história já começa com isso bastante estabelecido.

Também é bem estabelecido que a Alexandra arruinou completamente a vida da Sloane no ano passado, e tudo o que a Sloane quer, apesar de ter 0 ferramentas pra isso, é se vingar da Alexandra e acabar com ela. Mas a coitadinha assiste Garotas Malvadas com um caderno de anotações, então ela não é uma grande ameaça.

A Ivy só quer viver a vida dela, depois do episódio de pânico que ela teve na sala de aula, que resultou na sua exclusão social completa. Ela é uma pária dentro de Spencer High, e apesar da invisibilidade ser até bem-vinda, ela meio que gostaria de voltar a ter amigos, sabe? Ia ser meio que talvez quem sabe legal.

Só que tudo isso é agitado quando uma garota nova entra, e é imediatamente bem recebida por todos. Erin, linda, doce, amável, e genuinamente legal, pode acabar com os planos da Alexandra de ser rainha, se ela não fizer algo pra acabar com a Erin antes. E talvez, só talvez, usar algumas das peças que ela tem disponíveis pra fazer isso.

Agora que já temos a história base bem explicada, eu posso gritar?

AAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH PELO AMOR DE DEUS ESSE LIVRO É MUITO BOM MESMO EU NÃO SEI NEM LIDAR AS QUATRO NARRADORAS TÊM VOZES TÃO DISTINTAS E SÃO TÃO INCRÍVEIS DE JEITOS DIFERENTES E AS MOTIVAÇÕES E OS PLANOS E É TUDO HORRÍVEL E MARAVILHOSO!!!!!!!!!!! E O FINAL É A MELHOR COISA MAS NÃO VOU SPOILAR ESSA PARTE, JURO. MAS FHLKSDGSLKFDS AAAAAAAAAA.

Oi. Okay. Tá tudo bem. Eu to respirando normal.

 

Pontos de diversidade:

Personagens queer: 2 (não contando a Alexandra)

Personagens não-americanas/não-brancas: 0

Personagens com transtorno mental/psicológico: 1

Personagens PCD: 0

= 3 pontos

 

Pontuação do livro: ★★★★★

✓ narrativa maravilhosa

✓ personagens incríveis

✓ diversidade (3 pontos pra cima eu já considero check)

✓ química entre personagens

✓ final satisfatório

 

About Gabriela Martins 9 Articles
Gabriela Martins é professora e formada em Letras e tem uma obsessão preocupante com bruxas, guerras fictícias, e super-heróis. Seus hobbies principais incluem planejar assassinatos pra acontecer em mundos faz-de-conta, longas caminhadas até o sofá pra fazer maratonas no Netflix, e, surpreendentemente, yoga.

2 Comentários

  1. AAAAAAAAAAAA Que post maravilindo!
    Primeiro, ver a sigla LGBTQIA+ inteira me deixa tão feliz – principalmente a inclusão da assexualidade!

    Depois, fiquei super curiosa pra ler esse livro e vou ficar de olho no desafio!

    • ebaaaa, may!!! to super feliz que você gostou do post (e da sigla!) e se interessou pelo livro!!!! eu amei muito winning, não podia ter começado melhor o desafio pra mim. me fala se você curtir?? <3

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